A comunicação mudou de mão.

Nunca pensei em viver isso, mas a comunicação mudou de rumo, não está na contramão, mas também não é a que vemos nos comerciais de TV, jornal o revistas. Mudou e muda agora, todos os dias, toda hora.

Os formatos engessados da comunicação global mudou definitivamente. As grades das programações que ainda seguem o modelo de antes do tempo da internet, estão com os dias contados. Os novos telespectadores não confiam mais no varejo insistente das ofertas arrasadoras, não há mais tempo para promessas vazias. Brakes de 30, 60 segundos? comerciais encantadores? Nada disso tem mais importância, nem mesmo os horários nobres são tão nobres. Se queremos ver as notícias, não vamos mais à elas, elas e que vem ao nosso alcance rapidamente, mais veloz que um twit, um whatsapp. Somos a plataforma de comunicação, somos geradores individuais de comunicação. Nossas notícias tem a verdade que queremos ou a mentira que iremos acreditar.

Até na crise política nacional ou mundial, a comunicação se divide em duas ou mais verdades. Todos querem acreditar nos fatos mais agradáveis e a comunicação publicitária vive a mesma dor. Os governos caíram na rede, e seus atos são avaliados e questionados muito mais rápido do que nos portais de notícias. O presidente Putin é bom ou tirano? Qual são os verdadeiros índices da economia? O novo modelo da concercionária é realmente novo? é caro ou barato? É carro ou a bicicleta? Uns não querendo mais o Facebook e outros só no YouTube.

“Consumer is boss” é o que acredita o Ceo da P&G, Alan George Lafley. Segundo ele, a boa estratégia é o que o consumidor quer ver, por isso substituiu o nome do setor de Marketing para Gestão de Marca, para entender o universo do consumidor e ir muito além das pesquisas. Irene Pereyra da Anton & Irene, designer de renome mundial e diretora global de user experience e estratégia, e que palestrou no evento Offf Design realizado em Fortaleza, foi ousada em dizer que as pesquisas atrapalham para quem quer inovar, se Steve Jobs estivesse vivo, estaria na primeira fila da plateia aplaudindo, ele também nunca foi fã de pesquisas, rejeitou os modelos impostos do mercado e ainda revolucionou a maneira de se comunicar. As pessoas estão ávidas por uma proposta de valor real, que as complete por inteiro, independente do seu estilo de vida. Os grupos que antes vestiam as mesmas ideias, hoje compartilham de novos espaços travestidos do que acreditam. Os geeks comem na mesma mesa dos yuppies, os punks ouvem o rock in reggae e garotos tocam vinis pro mais velhos.

O consumidor hoje, tem um papel muito além da compra. É o que diz Ana Couto, da Ana Couto Branding. Segundo ela, “o consumidor tem multipapeis: pode ser desde o investidor, que compra as ações da sua empresa, até um grande influenciador da comunidade impactada; pode ser um funcionário e/ou consumidor, que defende, promove e que até vende.

A Matrix está cada vez mais rápida que o mundo real. Há sites com preços compartilhados e regressivos e aplicativos avisando que o preço da passagem aérea caiu ou subiu. Então pra que as liquidações?

Empresas multinacionais em vendas “in home” como AmWay, Avon e Natura, talvez sejam modelos para os novos tempos do varejo, pela proximidade, será? Somos os geradores e influenciadores dos modelos que acreditamos. Somos blogs, somos grupinhos em whatsapp, somos tudo e todos ao mesmo tempo. Se enquanto lemos essa matéria perdemos uma notícia ou um filme, podemos, em outro instante, recuperar-los nos sites de notícias. Se não queremos mais ver esse assunto, temos o tempo todo do mundo para ler os mais de 4.000 livros em nossos ebooks, tablets ou hand talks. Se o que queremos não está na rede ou no Google, vamos mais fundo na deep web.

O branding tem muito mais a dizer a suas marcas do que antes. Uma grife de carro é muito mais que um automóvel, uma Harley é muito mais que uma motocicleta. Marcas são estilos de vida, devem ser projetos sociais, menos anúncio, menos varejo, marca é carisma, é cotidiano. Novas marcas surgem tomando lugar das grandes marcas, simplesmente porque querem ser muito mais que produtos. Marcas com novos modelos de negócio nascem todos os dias e não abrem mais lojas, a Tesco, por exemplo, passou a ser a primeira empresa de varejo na Korea fixando cartazes de produtos com QR code em metrôs; outras empresas disponibilizam aulas grátis de inglês em troca de audiência. Marcas novas surgem de todos os lados, de todas as formas e tamanho. Empresas como Kodak, Blockbuster, Olivetti, perderam o rumo porque não acreditaram que o mundo fosse mudar. Os Hábitos e o mundo mudaram, o Orkut nem existe mais como mídia social, o Brasil já não é mais a terra do futebol à décadas e o nosso endereço deixou de ser uma casa, é uma nuvem.

Se você ainda acredita que a promoção do seu produto vai coincidir com o desejo de pelo menos 100 espectadores no mesmo segundo em que aparece o comercial, ou você não conhece mais o cliente, ou você não conhece mais o mundo.


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